sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

A Dirty Carnival (Biyeolhan Geori)

Autor: Sergio Lopes

Essa resenha é cortesia do blog:
http://cineasia.blogspot.com/

Nome: A Dirty Carnival (Biyeolhan Geori) - 2006


Byung-doo, apesar dos seus 29 anos, é o número 2 de um pequeno gang organizado. Vive uma vida solitária e dura, uma vez que tem de sustentar a sua mãe doente e apoiar os seus dois irmãos mais novos. No entanto, quando é convidado para uma missão secreta, Byung-doo sabe que o sucesso da sua investida poderá ser o seu sucesso pessoal, o que lhe poderá remover todas as preocupações que nutre pela sua família...

Num ano de 2006, prolífero em policiais de acção na Coreia do Sul (Bloody Tie, Les Formidables, The City Of Violence), A Dirty Carnival destaca-se claramente de entre os demais, quer pela sua complexidade, quer pela sua qualidade. Realizado por Yu Ha (Once Upon a Time In High Scool), A Dirty Carnival narra a ascenção e queda de Byung-doo, um gangster que lentamente vai ganhando o seu espaço numa pequena organização criminosa. Mas não se pense que se trata de um típico filme de gangsters, pois apesar de se ambientar nesse meio do crime, a película assenta num drama familiar.


Byung Doo, apesar dos seus 29 anos, não se sente realizado pois não consegue dar uma vida melhor à sua mãe e aos seus dois irmãos. Aproveitando uma oportunidade no seio do gang a que pertence, despacha um advogado que ameaçava o seu chefe. Lentamente vai ganhando o seu espaço, vai subindo e tendo sucesso na organização. Entretanto, retoma o contacto com um antigo amigo de escola, Min-ho, aspirante a realizador de cinema e que pede para o ajudar a realizar um filme sobre gangsters. De forma insensata, Byung Doo confia no seu velho amigo. Mas também graças a ele, retoma o contacto com a sua antiga paixão, a bela Hyeon-ju...

Toda esta complexidade narrativa e a interligação de sub-plots é brilhantemente equilibrada através de um argumento muito bem delineado, servido por diálogos bem conseguidos e por personagens multidimensionais e bem desenvolvidas, que conferem um carácter emocional e realista ao filme. Todos os actores foram muito bem seleccionados para os seus respectivos papéis, mas Jo In-Seong é brilhante como o protagonista Byung-Doo, com uma performance realista e carismática, capaz de transparecer as mais variadas emoções.


O que começa por ser um filme de gangsters, vai-se transformando num filme sobre relacionamentos e valores de família, ambição e realização pessoal, culminando num clímax que junta todos os elementos num final inesperado e trágico. Apesar das suas duas horas e quinze de duração, A Dirty Carnival nunca é enfadonho, graças à montagem suave e ao uso da música.

Ao recorrer à ligeira saturação de cores e ao ambiente citadino do submundo do crime, A Dirty Carnival é, por vezes, comparado a Heat de Michael Mann. No entanto, acho que se aproxima mais de Scarface ou de A BitterSweet Life, pois não é um filme de gangsters vulgar, mas sim mais complexo e rico. Só a título de curiosidade, a tradução literária do título coreano é de Mean Streets. Mas no entanto, optaram pelo título internacional A Dirty Carnival, talvez para evitar comparações...

Nenhum comentário: