sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

A Tale of Two Sisters (Janghwa, Hongryeon)

Autor: Sergio Lopes

Essa resenha é cortesia do blog:
http://cineasia.blogspot.com/

Nome: A Tale of Two Sisters (Janghwa, Hongryeon) - 2003


Provavelmente estamos na presença da obra-prima asiática de terror psicológico.

A história gira em torno de duas irmãs que regressam a casa, após terem estado numa instituição mental. Em casa encontram o pai e uma madrasta cruel. A relação entre as três começa a deteriorar-se ao ponto de a irmã mais forte (brilhante Im Su-jeong), tentar proteger a mais fraca (Mun Keun-yeong), das investidas da madrasta que sentem como uma enorme ameaça para ambas. Ao mesmo tempo, começam a surgir estranhas aparições e fenómenos invulgares no seio da casa…

A tale of two sisters” é o filme da consagração do cineasta da nova vaga de realizadores coreanos, Ji-woon Kim, que neste ano de 2005 apresenta o muito aguardado thriller de acção noir (o primeiro filme do género na Coreia), “A bittersweet life” .

Para evitar estragar o visionamento do filme, prefiro não me alongar muito mais sobre o argumento. Apenas posso dizer que “A tale of two sisters” é intelectualmente inteligente e combina de forma quase perfeita o thriller psicológico, drama e terror, servido por uma banda sonora magnífica e uma realização sublime.

Desde o argumento intrigante, passando pela música, narrativa e escolha dos actores, todos os aspectos neste filme roçam a perfeição. Do ponto de vista técnico, é difícil encontrar uma falha, pois tudo é cativante. A forma como atravessa os vários géneros (desde o drama ao terror, passando pelo thriller) é algo a ter em conta. A utilização do contraste de cores e da luz torna a película esteticamente apelativa e visualmente cativante. As duas actrizes principais brilham a todos os níveis. São mágicas no écrân. A actriz Yeom Jeong-ah, que representa a madrasta das duas irmãs é genuinamente cínica e má.

Ji-woon Kim baseia toda a estrutura cinematográfica num argumento fabuloso, na realização e no estilo visual, de modo a criar uma atmosfera densa de tensão capaz de provocar verdadeiros sustos, sem recorrer ao terror directo que advém da utilização do gore ou do uso de cenas de violência gratuita. Pelo contrário, filma-as no tempo certo e com o plano de câmara adequado a para esse efeito.

Para quem gosta de filmes de terror na linha de “O Sexto Sentido” ou “Os Outros”, vai com certeza delirar com “A Tale Of Two Sisters”. É definitivamente um filme obrigatório que esperemos não seja alvo de um remake americano… A imitação nunca poderá igualar o original. E este original é fabuloso!

Nota: 09.00/10.00 (Cine Asia)

A Dirty Carnival (Biyeolhan Geori)

Autor: Sergio Lopes

Essa resenha é cortesia do blog:
http://cineasia.blogspot.com/

Nome: A Dirty Carnival (Biyeolhan Geori) - 2006


Byung-doo, apesar dos seus 29 anos, é o número 2 de um pequeno gang organizado. Vive uma vida solitária e dura, uma vez que tem de sustentar a sua mãe doente e apoiar os seus dois irmãos mais novos. No entanto, quando é convidado para uma missão secreta, Byung-doo sabe que o sucesso da sua investida poderá ser o seu sucesso pessoal, o que lhe poderá remover todas as preocupações que nutre pela sua família...

Num ano de 2006, prolífero em policiais de acção na Coreia do Sul (Bloody Tie, Les Formidables, The City Of Violence), A Dirty Carnival destaca-se claramente de entre os demais, quer pela sua complexidade, quer pela sua qualidade. Realizado por Yu Ha (Once Upon a Time In High Scool), A Dirty Carnival narra a ascenção e queda de Byung-doo, um gangster que lentamente vai ganhando o seu espaço numa pequena organização criminosa. Mas não se pense que se trata de um típico filme de gangsters, pois apesar de se ambientar nesse meio do crime, a película assenta num drama familiar.


Byung Doo, apesar dos seus 29 anos, não se sente realizado pois não consegue dar uma vida melhor à sua mãe e aos seus dois irmãos. Aproveitando uma oportunidade no seio do gang a que pertence, despacha um advogado que ameaçava o seu chefe. Lentamente vai ganhando o seu espaço, vai subindo e tendo sucesso na organização. Entretanto, retoma o contacto com um antigo amigo de escola, Min-ho, aspirante a realizador de cinema e que pede para o ajudar a realizar um filme sobre gangsters. De forma insensata, Byung Doo confia no seu velho amigo. Mas também graças a ele, retoma o contacto com a sua antiga paixão, a bela Hyeon-ju...

Toda esta complexidade narrativa e a interligação de sub-plots é brilhantemente equilibrada através de um argumento muito bem delineado, servido por diálogos bem conseguidos e por personagens multidimensionais e bem desenvolvidas, que conferem um carácter emocional e realista ao filme. Todos os actores foram muito bem seleccionados para os seus respectivos papéis, mas Jo In-Seong é brilhante como o protagonista Byung-Doo, com uma performance realista e carismática, capaz de transparecer as mais variadas emoções.


O que começa por ser um filme de gangsters, vai-se transformando num filme sobre relacionamentos e valores de família, ambição e realização pessoal, culminando num clímax que junta todos os elementos num final inesperado e trágico. Apesar das suas duas horas e quinze de duração, A Dirty Carnival nunca é enfadonho, graças à montagem suave e ao uso da música.

Ao recorrer à ligeira saturação de cores e ao ambiente citadino do submundo do crime, A Dirty Carnival é, por vezes, comparado a Heat de Michael Mann. No entanto, acho que se aproxima mais de Scarface ou de A BitterSweet Life, pois não é um filme de gangsters vulgar, mas sim mais complexo e rico. Só a título de curiosidade, a tradução literária do título coreano é de Mean Streets. Mas no entanto, optaram pelo título internacional A Dirty Carnival, talvez para evitar comparações...