domingo, 6 de janeiro de 2008

I'm a cyborg but that's OK!

Autor: Rodrigo Sánchez
http://expirou.blogspot.com

Nome: I`M A CYBORG BUT THAT`S OK!
(SOU UM CYBORG MAS TÁ TUDO OK!) - 2006



Elenco: Su-jeong Lim, Rain, Hie-jin Choi, Byeong-ok Kim, Yong-nyeo Lee, Dal-su Oh.

Diretor: Chan-wook Park

Uma obra que nos convida a uma reflexão sobre nossos próprios valores. Eis o que está por trás da comédia romântica I'm a cyborg but that's ok, do coreano Park Chan-Wook, que teve seu filme reduzido diversas vezes a uma simples comparação ao francês O fabuloso destino de Amélie Poulain, de Jean Pierre Jeunet. Em ambos os casos, diretores consagrados pelos trabalhos anteriores são criticados ao lançar algo menos bombástico. I'm a cyborg foi retirado das salas coreanas antes do previsto, tendo sido considerado um fracasso comercial. No entanto, é preciso estar aberto à imaginação e aguçar a sensibilidade para que se possa extrair a mensagem do filme.

Young-goon (Su-jeong Lim) é uma jovem transtornada que presencia a avó, esquizofrênica, tornar-se um estorvo para a família e ser mandada para um manicômio. Apesar de ainda tentar correr atrás da ambulância, não consegue alcançá-la. Enquanto isso, pelo vidro, sua avó tenta transmitir uma última mensagem que Young-goon não compreende por completo. A angústia segue com a menina até a fase adulta, quando ela aparece trabalhando numa linha de produção de rádios (objeto venerado pela avó, diga-se de passagem). Depois de uma tentativa de suicídio, quem vai parar no manicômio é a própria neta. Lá, ela jura ser uma ciborgue. Mas ciborgues não comem, apenas recarregam as baterias. Naturalmente, ela não come.



Entre os internados, um jovem que sempre foi rejeitado pelos pais tem sua atenção tomada pela recém-chegada Young-goon. Ele jura que consegue roubar determinados pontos da personalidade das pessoas e, apaixonado, acha que pode, com seus poderdes, ajudar a nova colega. A história se desenrola numa constante ajuda mútua em que, apesar da insanidade, os dois conseguem superar algumas dificuldades, sempre de maneira inusitada. É dentro dessa loucura que a limitação de um se torna a solução para a limitação do outro.

A ciborgue, que não come - e por isso fica fraca e quase morre - passa a comer quando Park Il-sun (interpretado pelo astro coreano Rain), o louco apaixonado, elabora um enredo ainda mais irreal para convencer Young-goon a comer. E ela come. E, a essa altura, o manicômio inteiro já está envolvido e torcendo para que ela se recupere. O romance evolui, com as peculiaridades óbvias da relação entre dois insanos, mas evolui. E o filme acaba pondo em xeque aquele que seria o destino lógico de um improvável romance entre dois internos de um manicômio.

Talvez Park Chan-Wook tenha atribuído aos loucos a capacidade de amar inteiramente, de maneira pura e sincera - qualidade supostamente natural de qualquer um de nós, porém em extinção num mundo onde o normal é ser ciborgue. Afinal, quem é ciborgue entre loucos e normais? Os internados têm, todos, históricos de problemas familiares. Isolando-se o caso dos protagonistas, temos de um lado uma família que rejeita friamente uma idosa doente, traumatizando sua neta. De outro, um jovem rejeitado pelos pais, ocupados e insensíveis.



A frieza com que presenciam e vivem esses casos, associados aos traumas decorrentes desses acontecimentos, são as causas das reações notadas na personalidade de cada um e é por isso que terminam convenientemente internados num manicômio, cheios de limitações e problemas mal resolvidos. Tudo por conta de outras pessoas que, em sua incontestável superioridade, transformam as relações humanas em algo descartável, inclusive dentro da família, que deveria ser a maior fonte de exemplo.

Não são todos que saem ilesos dessa catástrofe, se assim podemos classificar o que tem acontecido nas relações humanas. Aqueles que não lidam bem com o "mundo moderno" são rejeitados e acabam por se tornar os portadores do que ainda resta de humanidade, ainda que sejam considerados loucos ou ciborgues. O ser humano saiu de moda, foi corroído pela própria invenção: o mundo como ele é hoje. Aonde vai parar, talvez seja a pergunta do século.

Tecnicamente o filme é impecável. Fotografia, tomadas, trilha sonora, tudo muito bem elaborado e combinado com as marcas próprias do diretor bastante evidenciadas, como no caso do francês Jean Pierre Jeunet, cujas obras são facilmente reconhecíveis. A relação de I'm a cyborg com Amélie Poulain, no entanto, é distante do que se pensa, apesar dessa última também ser de certa forma afastada da condição de normalidade por carregar consigo uma dose de pureza que foi substituída sabe-se lá pelo quê no restante da população. No fim, nós ciborgues somos todos carentes de um pouco de humanidade. Daí a se tomar alguma atitude são outros quinhentos. Sorte de quem é "louco".



Nota: 09.00/10.00

3 comentários:

Patrícia disse...

Otimo filme!
Só nao entendi o final hehe

Voces devia dar dicas de sites pra baixar filmes, eu sei alguns se quiser! =]
Mas se voces souberem mais, melhor ainda! Até eu to querendo saber hehe

Jardel Vinicios disse...

Eu baixei esse filme um tempo atrás e ainda não o vi mas verei até semana que vem, me falaram que ele é bem difícil de entender né! xD Mas verei assim mesmo, fiquei sabendo que é ótimo também! ^^

P.S.: Pessoal, parabéns pelo blog, adorei! Vocês já fizeram alguma resenha de "200 Pound Beauty"? É um grande filme, recomendo!

Alan Ongaro disse...

Cara Patrícia.

Infelizmente não consigo baixar filmes via internet por ter uma conexão lenta, mas se vc quiser dar dicas de sites para o pesssoal que baixa fique à vontade!

Caro Jardel.

Obrigado pelo elogio ainda não fizemos uma resenha de "200 Pund Beauty" mas tem muita coisa boa vindo por aí! Não deixe de visitar o blog!

PS: Se quiserem colaborar com alguma resenha fiquem à vontade é só enviar para o e-mail: alan.ongaro@gmail.com

Abraços.