sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Failan

Autor: Diogo Giglio

Essa resenha é cortesia do blog:
http://vaiumcineminhaai.blogspot.com/

Nome: FAILAN - 2001

Elenco: Min-sik Choi, Cecilia Cheung, Pyong-ho Son, Hyong-jin Gong,
Chi-yong Kim, Kyong-jin Min, Chol-jin Sin, Yong-son Kim.

Diretor: Hae-seong Song.

Após a morte da mãe, Kang Failan (Cecília Cheung) emigra da China buscando emprego no restaurante de uma tia que vive na cidade de Inchon, na Coréia do Sul. Ao chegar lá, descobre que ela se mudou para o Canadá, ficando sozinha num lugar que não conhece, sem poder contar com ninguém e sem dominar o idioma. Failan não busca nada além de uma vida simples, qualquer trabalho honesto e um local digno onde possa viver, e para isso terá que trabalhar duro.

Lee Kang-jae (o sempre ótimo Min-sik Choi) é um gangster acabado que não tem o respeito de ninguém na gangue em que trabalha. Apesar de ter a mesma idade de Young-sik, líder do grupo que explora a imigração ilegal, bares e prostitutas, está no mesmo nível de jovens que acabaram de entrar na organização. Por mais que tente, Kang-jae não consegue se impor perante os outros, sendo constantemente humilhado por garotos com metade da sua idade e pelo próprio chefe, que o acusa de "não ter sido cunhado para o ofício" por não ser duro o bastante quando a situação exige. Ele deseja comprar um barco para voltar à sua cidade natal e trabalhar como pescador, e um incidente lhe dará essa chance, mas tudo tem seu preço.

Falar sobre Failan é um tanto difícil pra mim porque cada frame da projeção me desafiou como poucos filmes ainda conseguem fazer. E nesse desafio fui vencido por nocaute. Sem vergonha alguma de dizer, confesso que chorei (e muito) com a história. O filme despertou em mim um sentimento não apenas de pena, mas de preocupação com os personagens, pois à medida que o longa vai se desenrolando e vamos conhecendo mais das vidas miseráveis dos protagonistas, é impossível não se emocionar com a trajetória de ambos.

E é comovente a maneira como os personagens vão se desenvolvendo. A improvável relação entre Failan e Kang-jae nos é lentamente desvendada através de flasbacks que nos mostram suas histórias separadamente. Diferente do que acontece em outros filmes do gênero, o diretor Song Hae-seong não permite que o filme abuse de situações forçadas para tocar a sensibilidade do espectador e emocionar. Isso torna a maneira como os dois personagens se 'relacionam' crível, já que não lhes resta mais nada nem ninguém no mundo, sendo um a esperança da qual o outro precisa para continuar vivendo.

Cecília Cheung compõe de forma brilhante uma personagem de aparência frágil, conseguindo passar apenas através de olhares mais do que muitas palavras conseguiriam dizer. A cena em que Failan se dirige ao senhor que a indicou para o trabalho que pegou para dizer que está doente é tocante.

Choi Min-sik mais uma vez mostra porque é considerado um dos melhores atores sul-coreanos e consegue criar um personagem ambíguo que nos leva a sentimentos diversos. Kang-jae tem uma vida "que nem cachorro leva", o que nos causa piedade, mas ao mesmo tempo age de forma repugnante em alguns momentos, o que nos causa raiva. À medida que ele vai se apegando à Failan, começa a criar a coragem necessária para fazer o que sempre quis e uma outra faceta sua se mostra. Um exemplo dessa mudança de comportamento e do brilhantismo do ator pode ser visto na cena em que o seu personagem lê uma carta num cais. Ele consegue passar um realismo tal em suas cenas que parece que não estamos assistindo a um filme, mas presenciando tudo ao vivo.

O trabalho de composição dos atores é fundamental para o funcionamento do longa, que após um rápido prólogo no qual vemos Failan chegando à Coréia, dá a impressão de ser um filme sobre a máfia devido o foco inicial em Kang-jae. Mas não se iluda. Baseado no livro do escritor Asada Jiro, este é um poderoso drama. Dizem que é um dos filmes mais tristes da década, sendo capaz de fazer a mais fria e dura pessoa se comover.

Failan realmente é um filme bastante triste, mas também é uma obra permeada pela esperança durante toda a projeção. E esperança não só em dias melhores, mas também na possibilidade de futuro que um pode (ou poderia) vir a representar para o outro, que se converte em gratidão e amor. Uma das grandes ironias do longa é o fato de Failan se dirigir por duas vezes a um local chamado esperança para solucionar o seu problema de permanência na Coréia.

Como diz o ditado, "a esperança é a mãe da decepção". Talvez venha daí a tristeza da película.


Nota: 09.00/10.00 (Vai um Cineminha aí?)

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