domingo, 23 de dezembro de 2007

Peppermint Candy

Essa resenha é cortesia do blog:
http://cinema-para-todos.blogspot.com

Nome: PEPPERMINT CANDY - 2000


Elenco: Kyung-gu Sol, So-ri Moon, Yeo-jin Kim, Jung Suh, In-Kwon Kim

Diretor: Chang-Dong Lee

Venho comentar sobre mais um grande filme, dirigido por Chang-dong Lee, diretor sul-coreano e Ministro da Cultura sob o governo de Roh Moo-Hyun. Seu primeiro filme, Green Fish, de 1997, obteve um certo sucesso nos festivais onde passou, garantindo com que ele pudesse dirigir seu próximo filme com mais confiança. Então, em 2000, ele dirigiu esse filme que venho comentar, um poderoso drama sobre um homem, vítima de um sistema ditatorial, acabando por arruinar sua própria vida, devido a traumas gerados por sua vivência nessa época. Mais tarde, Chang-dong Lee dirigiu o romance, não-convencional, chamado Oasis, de 2002, bastante aclamado, com os mesmos atores desse filme que comentarei nos papéis principais, Kyung-gu Sol e So-ri Moon. E em 2007, ele dirige mais um filme, Secret Sunshine, que esteve presente no Festival de Cannes e foi nomeado à Palma de Ouro e venceu o prêmio de melhor atriz (Do-yeon Jeon).



O filme é contado de "trás para frente", como no filme Amnésia (Memento), do diretor Christopher Nolan, porém, não há motivos para comparações, já que se trata de gêneros e histórias diferentes. É contado em capítulos, começando em 1999 e terminando em 1979, portanto, 20 anos na história do personagem e da própria Coréia do Sul. Inicialmente, somos apresentados à Yongho (Kyung-gu Sol), um homem de meia-idade que se encontra deitado perto do rio e debaixo de uma ferrovia. Ele caminha e encontra um grupo de pessoas se divertindo em uma tenda, com muita música e bebida. Aproximando-se, essas pessoas o reconhecem, como um dos membros desse grupo. Yongho se mostra bastante nervoso após cantar uma música e sobe a ferrovia. Inicialmente, pensam que se trata de uma brincadeira, mas o homem está prestes a cometer suicídio, ficando nos trilhos, onde vem vindo um trem, que logo se aproxima.

A partir daí, voltamos ao tempo, seguindo viagem no "Trem da Vida" de Yongho, recapitulando e conhecendo os motivos para tamanha desilusão e vontade de cometer suicídio. Inicialmente, voltamos para 3 dias antes desse acontecimento, na Primavera de 1999 e o filme é dividido em capítulos, sempre intercalados por um passeio reverso de um trem, como se estivéssemos voltando ao tempo, o que, óbvio, é exatamente o que estamos fazendo. De 1999, vamos para 1994, depois para 1987, 1984, 1980 e finalmente, terminamos em 1979, sendo que cada capítulo tem um tema principal ligado a ele.



Vimos todos os motivos que levaram à degradação de Yongho: motivos familiares, motivos amorosos e motivos profissionais. Não gostaria de citar acontecimentos do filme para não estragar detalhes do mesmo, mas o espectador que seguir adiante a viagem, sem sentir enjôo, vai ser premiado com um belíssimo e ao mesmo tempo depressivo filme. Vimos que anteriormente, Yongho era um homem bondoso, mas através de sua vivência no período ditatorial da Coréia, no ano de 1980, quando estava no Exército, se transformou em um homem atormentado e traumatizado sem perspectivas para seu futuro e seus problemas a partir daí se transformariam em uma bola de neve, culminando em seu suicídio.

O ator Kyung-gu Sol é muito talentoso e passamos a sentir pena do pobre coitado durante o filme. O filme é focado nele, mas todos os outros atores envolvidos são extremamente talentosos, como a atriz So-ri Moon, que interpreta a primeira namorada de Yongho, uma mulher que trabalhava em uma fábrica de bombons de menta, uma alusão ao título do filme. Esses bombons de menta são muito importantes na trama, pois servem como um símbolo para as ações tomadas por Yongho. Como que coisinhas simples como tais doces podem ser tão simbólicas?



O filme antes de ser um drama pesado é também um romance muito belo. Outro detalhe interessante do filme são as já citadas cenas intercalando a entrada dos capítulos, onde vemos um trem se movimentando pelos trilhos e o cenário ao seu redor, como carros e pessoas, indo na direção contrária de onde costumavam se deslocar, tipo como se apertássemos a tecla "Rewind" na vida do Yongho. Essas cenas do trem também têm outro motivo na trama, só que simbólico. A trilha sonora é outro destaque, com tons melancólicos e belos. A montagem, obviamente, é muito eficiente.

Enfim, um trabalho primoroso do diretor Chang-dong Lee, que mostra bastante eficiência nas câmeras. É um filme difícil, de narrativa lenta e não linear, mas mostra-se uma excelente obra.



NOTA: 09.00/10.00 (Cinema Para Todos)

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